Doa-se

Doridos olhos de amanhecências em claro, suplicam o fim de infinitas esperas. Pois sou quem contempla o silêncio de quem não me oferece as respostas diretas.
Torna-se direta a meta das palavras dizentes, que acalantam a alma da mulher, mas algo se intromete em minhas metas. Metem- se pelas frestas do querer. Só sabe bem o que digo, quem sempre tem alguém pra esquecer.
Pela memoria de quem já foi esquecido e sobre o peso de quem já foi traído há sempre mais a dizer... Haverá quem não deseje o silêncio depois da tormenta?
Haverá quem não se atormente com o silêncio ensurdecedor do desejo? Aquele que sucumbe no ventre e mente pra saciar a fome?
Fome de amor não sacia. É vácuo que apenas alivia. Matar sede e fome no ventre pode ser normal. Líquido aminiótico. Cordão umbilical.
De amor, fome? De amor, ar. Não se engana amar...
De amor, império de luxúrias.
Não doa de dor, ele se há de mostrar a quem doa...
Pois de tanta dor a não querer doer, doa-se amor.
Do seu jeito. No corpo do outro. De cara. Em ambas as almas.

Barbara-ella Jovanholi e Sheyla de Castilho
13.01.12
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