A Santa de Rabo - Parte VI

Antes que venham me perguntar ou  sacramentar as qualidades de Santa, é bom lembrar que seus planos definharam simplesmente porque ousou pensar um tom abaixo. Santinha  realmente pensou que se sairia bem contando algumas mentiras, montando algumas cenas e, claro, acreditando nas palavras torpes dos homens que a desejavam. Só depois percebeu a essência que manteve a troco de vantagens.
As malas estavam prontas e o dinheiro da poupança do filho sacado, sobre a cômoda. Refletida no espelho, Santa previu uma tempestade de novidades. Seguiria até a capital e depois um chão maltratado a levaria até Durandé.

Chegando em BH, no entanto, Santinha  decidiu não seguir viagem rumo ao interior. Não conseguiria mesmo conviver com "aquela gente" .
A moça fez uma promessa para Santa Rita de Cássia: Não se envolveria com outro homem tão cedo.

Três meses se passaram rapidamente. Santa estudou bastante e isso a fez quase esquecer de tudo. Durante o primeiro mês, viveu numa pensão. Mas Santa teve muita sorte. Naquele momento, a moça exercitou o sorriso no rosto bonito. Conseguiu passar numa entrevista que a manteve de pé. Tornou-se curadora num pequeno atelier de fotografias. O filho ficava sob os cuidados da dona da pensão, que acabou adotando-os como família. Era uma viúva sem filhos. Esther também era a dona do apartamento onde Santinha estava morando.
Tudo ia bem até que, num dia normal de trabalho, sua coordenadora apareceu para uma visita não rotineira. Ela entrou, cumprimentou a todos e, sem cerimônias, chamou Santinha em seu escritório. Parecia disposta a alguma coisa. Imponente, entregou para Santa a cópia de um email enviado ao RH:

"Caríssimos, soube da contratação de uma criatura chamada Santa e me sinto na obrigação de alertá-los. Blá-blá-blá, blá-blá-blá..."

Era um email da mulher do ex amante. O diretor.  Ela espionava Santinha com um falso perfil há mais tempo que todos imaginavam. Passou meses tentando bolar algo a partir de observações facebookeanas, a pobre traída.

" ...Abram o olho com ela. Seja no trabalho, no mato ou na cidade, o coração de quem mente, mata."

Era frio o que Santa sentia.

(Barbara-Ella



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