A Santa de Rabo II

Santinha tratou de emoldurar um sorriso nos olhos assim que pisou na nova escola. Era tanta a carga que trazia nos ombros, que o tremor do silêncio desfocou passados inteiros, aprisionando os desejos dos outros. Crianças e marmanjos converteram-se à fantasia da pele clara e rosada de uma santa. Mesmo ela se espantou ao ser cortejada pelo influente e jovem diretor. Não havia se passado nem um mês, quando o promissor e bem casado rapaz desejou jogar pro alto qualquer coisa em troca de sua companhia. Era tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo... Santinha não parava de pensar, ansiosa, que em menos de uma semana começaria o esperado curso. Separou o figurino. Pintou as unhas de vermelho. Uma santa tinha que zelar pela beleza que marcaria pra sempre a vida de todos que passassem pelo "Café du Lage". Só faltava agora aprender a mexer na Canon G1X que herdara por furto do pai do seu filho, antes de abandoná-lo pra ficar com o tolo senil, que era do Rio. Quarta-feira, 17:30h. Santinha despediu-se gentilmente de todos. Como de costume atravessou a rua "twitando" planos. A moça resolveu ligar para a irmã mais velha, a fim de convencê-la de liberar uma grana a mais pro final de semana. Queria levar o filho ao Corcovado, e o velho não precisava saber. Ele estaria de plantão e não confiava na juventude de Santa. Chegando no bar habitual, foi logo adiantando o pedido e abrindo os serviços. Um gole forte pra lembrar de Minas, pois ele vinha vindo. Rosto suado e celular desligado só para vê-la... ...Por hora é só. Chegou meu café. (Barbara-Ella
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