A Santa de Rabo III

Depois de uma tarde entre corredores, olhares e algum trabalho, Paulo não suportaria voltar pra casa sem aquela "graça". Há um mês era a mesma coisa. Santa nas mãos de Paulo quatro horas por semana. O rapaz seduzido pelos nós da mandinga antiga, enterrada nos fundos do quintal de terra de Durandé, vivia se escondendo dos olhares da mãe do seu filho e mulher (que o amava). Bem sabia, que os olhos não mentiriam a traição e no fundo não queria fazê-la sofrer. Sentimentalismos à parte, daqueles instantes de beijos ofegantes e palavras sussurradas, só muito desejo de arrastar Santa até o outro lado da rua. O local dos encontros era um esquema antigo, dos tempos em que o pedagogo ainda usava cabelos compridos. O restaurante ficava numa rua estreita, sem passagem para carros. Pedestres eram poucos. Só velhinhos e desocupados transitavam por ali. Jogavam xadrez, baralho, o que tivessem em mãos. Todos reunidos na pracinha, sentados sobre bancos de cimento amornecidos pelo vento. Na verdade, sem brilho nos olhos e dinheiro no bolso, não tinham coisa mais interessante a fazer, se não acompanhar o entra-e-sai dos casais coloridos, pela porta cintilante do motel "Blue", que ficava logo ali... Outra hora mais... (Barbara-Ella
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