A Santa de Rabo VII

O sonho daquela tarde cansada tirou Santinha dos eixos.
Imaginou, com a boca enxarcada,  que  seria velada na orgia, embora além dela, só outro homem.
Muitas faces ornaram o corpo que  sugava os medos da sua cabeça.
Os desamores e os abandonos escorreriam numa narrativa muda e cheia de verbo.
Ela pressentiu e assistiu a silhueta daquele que jamais ousara encontrar. Um mito. Um anjo. Um demônio vindo em sua direção.
A saliva do desconhecido já dentro do corpo, e Santa em transe abandonava cada instante que não deu certo.
Ali a menina entendeu que nada sabia dos amores que salvam.
Evaporava de calor, enquanto era possuída por aquele homem que nunca vira. Ele penetrou sua realidade.
Um lobo apaixonado devorou a carne rosada de Santa e destrui sua castidade. Naquela noite foi puta. Foi culpa do sonho.
Santinha, soluçante despertou sobre a cama vazia e sorriu para o desconhecido que jamais irá esquecer. 
Tinha o travesseiro entre as pernas e seu ventre ardia...

(Barbara-Ella

Imagem: PickArt
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