Conto de quem conta um amor

Eles sequer desconfiavam, mas a manhã do novo dia estava prestes a derramar um pouco do peso do mundo sobre suas rotinas.

O alarme tocou e, enquanto ela se esticava preguiçosamente na cama,  ele deslocou-se para o hábito diário de seus afazeres.

Poucos minutos se passaram até que a mulher percebeu que algo não estava bem dentro de si. Uma coisa boba de dor física forçou-a a pedir ajuda.

Foi quando a persiana deixou refletir o espelho do homem.

Ele conduziu algumas poucas palavras, que de tão suas, pareciam egoístas. E ela, precisou esperar.


 A fêmea caminhou até a cozinha e preparou o café. Do cômodo distante ele ousou chamá-la, embora ainda não fosse a hora de ajudá-la.

Com a dor, mais a distância de passos pequenos, o patriarca precisou aguardar e, então, ele desacelerou o método.

Não.  Ele não costumava agir assim. Era gentil e amável como poucos, e isso a fez refletir.

Quando já era inútil lutar contra o mal estar instalado, ela resolveu a solução: pediu um beijo, secou a alma, ouviu os olhos do amado. Ele se foi.

O dia seguinte seria de solidão e culpa, mas não...


(Barbara-Ella


Imagem do arquivo pessoal della.

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