Sobre os shortinhos

Shortinhos são lindos. Mas pelo nível de informalidade, não é bom que sejam usados em todos os lugares... Li a justificativa das alunas adolescentes que começaram o debate e acho que tem algo que precisa ser repensado: a adequação.

São centenas de adolescentes dentro de uma instituição, cada qual com suas inspirações, mas todos com os hormônios à flor da pele, lutando contra seus próprios impulsos,  para dividir a atenção entre os estudos e todas as outras coisas.

São meninos e meninas da Era nude, que, na maioria das vezes, buscam os louros e (a)guardam os frutos da popularidade. Poucos se interessam realmente por questões políticas.  Muitos querem aparecer e todos querem ser aceitos. Querem encontrar sua turma. E quem não quer?

Fico pensando que crescer no mundo de hoje é muito dificil. Pai e mãe parecem não influenciar positivamente no comportamento da garotada. Fazem tudo o que pedem seus filhos, sem avaliar os riscos de um futuro perturbadoramente egoísta. São os filhos que dizem aos pais o que fazer. Pobres meninos que não são educados para o mundo real. Futuros sofredores compulsivos. Aprenderão pelas desilusões da vida... Quando e se perceberem que a vida vai além do umbigo...

A mídia distorce os valores na cara da sociedade. E a sociedade cai de quatro.  Enlouquece. Nossos meninos são receptores de desejos desenfreados. É o mundo do "faço o que quero e ninguém tem nada a ver com isso." E que tolice achar que não  podemos fazer diferente da manada!

Pensemos em todas as influências sexistas que sofrem os adolescentes de hoje no Brasil. São exemplos negativos vindos de todos os lados. Dos lares, dos filmes, das propagandas, dos ídolos, das novelas, dos políticos, da violência... Os vilões de ontem são os heróis de hoje. O que importa é bombar nos views. Ter seguidores e ganhar muitas curtições nas redes sociais. O que importa é o corpo. A aparência. 

((O que importa é vender jornais e alcançar mais pontos no ibope))

Serão nossos meninos médios sabedores do que realmente precisam para se tornarem homens e mulheres saudáveis e felizes?  Saberão eles lidar com tanta permicividade? Lembrarão eles dos seus DEVERES quando só ouvem falar em seus DIREITOS?

Vivemos num tempo em que vale mais se esforçar menos. Raridade encontrar pessoas que não usem muletas para justificar seus fracassos. A gente ouve falar a todo o instante que "não tiveram oportunidades", quando na verdade somos capazes de criar nossas próprias oportunidades com razão, fé e muito trabalho. Sem usar o corpo. Sem imitar o comportamento comum. Sem fugir das responsabilidades. Sem criar abismos entre o que se deseja e o que deve ser feito.

Ao invés de brigar pela entrada dos shortinhos nas escolas, por que não lutar pelo direito de ter na escola um espaço de pensamento crítico, um núcleo social  agregador,  com toda a infraestrutura necessária para o sucesso escolar nesse canto quente do planeta? Por que não exigir dos verdadeiros responsáveis, que as escolas tenham ventiladores, ar,  água,  merenda, atividades culturais e aulas com professores capacitados? Por que não pensar a igualdade, fazendo algo pelo bem de TODOS? Os shortinhos não eliminarão os problemas. E, definitivamente, não impulsionarão a  Educação.

Mas calma! Não são os adolescentes que tem que pensar tudo isso. Eles precisam de experiências para gerar opiniões próprias. Onde estão os pais desses adolescentes que não estão pensando tudo isso por seus filhos? Que não estão dispostos a orientá-los melhor?

A justificativa do abaixo -assinado que roda nas redes é de que mostrar as pernas é um direito. E que erradas são as pessoas que sexualizam partes de seus corpos adolescentes. O meu apelo é para que tenham responsabilidade sobre seus corpos. E não só direitos sobre eles.

Que o movimento seja por escolas que eduquem. Por famílias que não desistam.  Pela consciência coletiva.
E que nossos shortinhos pintem de alegria nossos momentos por aí...

(Barbara-Ella

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